Alta dos combustíveis gera efeito em cadeia que atenta contra a vida dos brasileiros de baixa renda

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os combustíveis automotivos acumulam aumento que passa 60%. É o caso do etanol, que subiu 41% entre janeiro e agosto de 2021 e no acumulado de 12 meses, o combustível subiu 62%.

A gasolina teve um aumento de 31% em 2021 e nos últimos 12 meses, acumula 39%. Além da alta nos combustíveis automotivos, outros derivados do petróleo também apresentam elevados aumentos, é o caso do GLP (gás liquefeito de petróleo), mais conhecido como gás de cozinha.

O GLP vem acumulando alta desde 2020, logo após o inicio da pandemia. O IBGE aponta que no segundo semestre de 2020 o aumento foi o dobro da inflação, acumulou 9,24% de alta. Já em 2021, neste mês de setembro, tivemos um aumento de 1,5% que junto com outras altas, soma quase 30% de acréscimo no preço do gás de cozinha só neste ano.

Não bastasse todo esse aumento, os brasileiros enfrentam elevados índices de inflação que resultam no encarecimento do alimento que o cidadão leva à mesa. Contudo, para conseguir atender as necessidades mais básicas das famílias, muitas pessoas têm substituído as formas de cozinhar e até de abastecer o automóvel.

Algumas famílias que não conseguem comprar o gás de cozinha, estão cozinhando com lenha, carvão e até álcool, na tentativa de reduzir os custos e conseguirem manter o sustento da casa. Mas as substituições devido a alta nos preços no gás, representa o aumento dos riscos que atentam contra a vida dos moradores da casa.

O álcool liquido é altamente inflamável, o mínimo descuido pode gerar um acidente de graves proporções. Foi o que aconteceu com uma família em Anápolis-GO, em agosto deste ano, devido a falta de dinheiro para comprar o botijão de gás, Benta Maciel, o marido Israel Rosa e a sobrinha de 10 anos, sofreram queimaduras por todo o corpo e ficaram internados por 20 dias, após uma explosão que aconteceu enquanto preparavam um fogão caseiro para cozinhar com álcool.

Benta Maciel e Israel Rosa internados após a explosão enquanto cozinhavam em fogão caseiro com álcool, em agosto de 2021.

Além disso, alguns especialistas que atuam no combate a acidentes domésticos, alertam para o aumento dos riscos de queimaduras, principalmente em crianças e idosos, mesmo cozinhando com lenha e carvão. De acordo com a União de Negros pela Igualdade, publicado pelo site Novo Notícias, somente na região norte do país o uso de alternativas como carvão, lenha e álcool cresceu cerca de 45%. Alguns hospitais já apontam a percepção de aumento nos casos de queimaduras por substituição no modo de cozinhar das famílias brasileiras de baixa renda.

Outra substituição perigosa que vem preocupando é a conversão de automóveis de gasolina ou etanol por GLP, o gás de cozinha. Alguns motoristas afirmam que, devido o aumento dos combustíveis comuns, o gás de cozinha se transformou em uma saída para enfrentar os elevados preços.

Mas, embora alguns vendedores de kits de conversão, em sites de venda na internet, divulguem economia de cerca de 30% após a conversão, um especialista através de uma matéria da BBC, esclarece que a economia não é real e ressalta o aumento do risco a vida, pois o uso do GLP nos automóveis eleva o risco de explosões.

Explosão de um carro movido a gás de cozinha, dentro de um posto em Natal-RN em 2020.

Hoje, o uso do GLP nos carros é proibido no Brasil. A Lei 8176 de 1991, proíbe a utilização do gás em automóveis com pena de detenção de um a cinco anos para quem desobedecer a regra. Porém, desde 2019, um projeto tramita na Câmara dos Deputados para revogar a limitação para uso de GLP em motores em geral, alegando que a proibição teve finalidade econômica que já não faz mais sentido no cenário atual.

Embora o gás de cozinha seja utilizado na Europa com alta estimativa de uso, vale ressaltar que as normas daquela região são mais rigorosas, hoje a instalação do GLP em território Europeu é feita na maioria já pela montadora. No Brasil, a instalação do kit para conversão do combustível nos carros, em grande maioria, é realizado por pessoas sem qualificação técnica apropriada, o que eleva o risco consideravelmente.

Além disso, economistas alertam para o que é uma reação em cadeia. Com o aumento do consumo de GLP pelos automóveis, o gás de cozinha terá mais aumentos, logo dificultará ainda mais o acesso das famílias ao gás para cozinhar, fazendo com que mais famílias se exponham aos riscos de cozinhar com álcool, carvão ou lenha.

É um circulo vicioso que o aumento descontrolado dos preços, de todos os setores brasileiros, está gerando no país. A reação de um grupo interfere e influencia a reação do outro, que interfere em outro e assim sucessivamente. A melhor saída para todos esses males é o controle da inflação e a manutenção dos preços dos produtos essenciais para as famílias, em valores que essas famílias consigam ter acesso.

(Imagem destacada: internet)

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