Havan Franca é tema de trecho conturbado na CPI da covid e gera debate entre Senadores e Luciano
Nesta quarta-feira (29), Luciano Hang, o proprietário das lojas Havan, é o depoente na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid. A sessão da comissão parlamentar, teve um inicio conturbado com a leitura de um discurso do relator, Senador Renan Calheiros (MDB-AL), cheio de indiretas. Sem fazer referência direta a Hang, Renan disse que em todas a eras do Brasil figurou o “bobo da corte” e citou o vestuário do personagem. Alguns Senadores governistas, entre eles Flávio Bolsonaro, reclamaram sobre a possível referência a Luciano Hang, que tem um modo peculiar de se vestir com ternos verde e amarelo.
Após alguns minutos da sessão, Renan questionou se Luciano havia recebido algum aporte financeiro ou empréstimo de algum banco como BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) , Banco do Brasil e/ou Caixa Econômica Federal. Luciano demonstrou gostar da pergunta, pois segundo ele, ajudaria a esclarecer “os brasileiros” sobre o tema. Trouxe a tona as 57 referências que o BNDES fez às lojas Havan, relacionando as transações com o banco junto a empresas que usam o FINAME (Financimento de Máquinas e Equipamentos), por isso, segundo Hang, quem usa os recursos federais do banco, são os terceiros dos quais as empresas dele compram maquinário.
Entretanto disse que, por conta da transação, o nome da Havan aparece como devedora do crédito, mas o que não é verdade de acordo com a declaração do empresário. Nesse momento, Luciano Hang cita o terreno da Loja na cidade de Franca, no interior de São Paulo. Disse que viu o terreno em uma viagem a cidade e que gostou, procurou o BNDES que era proprietário da área e que pagou 16 milhões de reais.
No entanto, o Presidente da CPI, Senador Omar Aziz (PSD-AM), em um momento de revolta ao ouvir o depoente dizer que ajudou o BNDES, que livrou “o BNDES de um abacaxi” com a compra do terreno em Franca, iniciou outro trecho de discussões acaloradas. Assista:
Após ser questionado novamente sobre o aporte de financiamento de banco federais, Hang ressaltou que durante a pandemia, por conta das dificuldades financeiras que acometeram a economia, ele recorreu a bancos privados, como Bradesco, Itaú e outros. Depois de alguns minutos, Omar interrompe mais uma vez o depoimento por entender que existiu contradições, discursa a respeito do poder aquisitivo do empresário e ressalta que todos os brasileiros têm histórias de luta, que Hang não iria “passar de bonzinho” na comissão.
O dia do depoimento do dono das lojas Havan era aguardado e já era apontado por muitos que seria um sessão conturbada, cheia de narrativas negacionistas e de defesa de métodos de combate a covid-19 sem comprovação científica. Entretanto, a forte motivação política tomou conta de vários momentos da sessão, sendo preciso alguns senadores alertarem para a necessidade da objetividade, tanto dos parlamentares, quanto do depoente.
(Imagem destacada: internet e TV Senado)



