Ministro Edson Fachin: “A Decisão Pertence ao Plenário, não a um ministro individualmente”, Diz Ministro em Sessão Extraordinária do STF

Acontece nesta terça (15), a sessão extraordinária no STF (Superior Tribunal Federal) o julgamento da petição 16662, que aponta possível irregularidade na relação do Ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, caso que tomou conta do noticiário politico nas últimas semanas.

O rito de julgamento e os possíveis desfechos

Conforme as regras de sessão divulgadas pelo STF, Fachin lerá primeiro o relatório e delimitará o objeto do julgamento; em seguida, a PGR se manifesta; depois ocorrem as sustentações das partes; por fim, vota o relator e, na sequência, os demais ministros pela ordem de antiguidade. Antes da sessão, Gilmar Mendes e Zanin solicitaram à Polícia Federal a cópia integral dos dados do celular de Vorcaro, para verificar se as informações divulgadas seletivamente no relatório estão completas.

A sessão extraordinária está sendo veículada no canal oficial do STF no Youtube. Caso queira assistir o vídeo completo: clique aqui.

Há três caminhos possíveis para o julgamento: o relatório ser declarado nulo; o relatório ser confirmado e decidir-se pela abertura de investigação ou outra medida; ou não haver conclusão final devido a pedido de vista, questões processuais ou controvérsia sobre impedimento de ministros. O ministro Toffoli já havia declarado seu impedimento em todo o caso Master, e se Moraes e Mendonça serão obrigados a se declarar impedidos por conflito de interesses também é uma questão que pode ser levantada em plenário.

A controvérsia

A controvérsia central do caso é: o relatório produzido pela Polícia Federal, por determinação do ministro André Mendonça — contendo 52 mensagens suspeitas entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes — tem validade jurídica, e se, com base nele, deve ser instaurada uma investigação contra Moraes. Trata-se de um dos casos de maior tensão institucional do STF nos últimos anos.

Origem do caso

O caso decorre da investigação sobre a fraude do Banco Master. Vorcaro, dono do banco, foi preso em novembro de 2025, e a instituição foi posteriormente liquidada com dívidas próximas de 40 bilhões de reais. A Polícia Federal extraiu dados do celular apreendido de Vorcaro e encontrou 52 mensagens enviadas, entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, a um número atribuído a Moraes.

Mendonça era então o relator do caso Master; ele determinou que a Polícia Federal produzisse um relatório de mais de 200 páginas e, no início de setembro, retirou o sigilo do material. O relatório mostra que Vorcaro compartilhou com Moraes um contrato de 131 milhões de reais entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, a advogada Vivian Barci de Moraes; dois dias antes de ser preso, Vorcaro ainda perguntou se deveria deixar o Brasil e pediu que Moraes interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República. Os investigadores não conseguiram recuperar o conteúdo das respostas do outro lado da conversa.

A controvérsia jurídica central

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou, antes do julgamento, uma questão preliminar: Mendonça não poderia autorizar, de forma unilateral e sem comunicar previamente o plenário, a abertura de uma investigação contra um ministro do Supremo. Com base nisso, a PGR pediu a declaração de nulidade do relatório. Isso significa que o plenário precisa primeiro decidir a questão da legalidade processual: se considerar que Mendonça agiu com excesso de poder, o relatório perde eficácia como base para qualquer medida contra Moraes; se considerá-lo válido, o caso avança para o debate de mérito sobre a abertura ou não de investigação formal.

O ministro Gilmar Mendes, em documento apresentado antes da sessão, questionou ainda mais: a “natureza processual da Pet 16662 não está clara” — trata-se de procedimento investigatório, de exame de medida cautelar ou de procedimento de proteção de prerrogativa institucional? Quem é o investigado? Quais regras processuais se aplicam? Ele afirmou explicitamente que “não existe pedido concreto submetido à deliberação do plenário”. Esses questionamentos aumentam a possibilidade de o caso ser adiado por um “pedido de vista”.

A dimensão política e institucional do caso

A Pet 16662 está longe de ser uma controvérsia jurídica comum. Ela ocorre menos de um mês antes da eleição presidencial, e o escândalo do Banco Master já atingiu o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro — investigações indicam que ele teve movimentações financeiras com Vorcaro, usadas para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Moraes relatou, em 2025, o caso do golpe de Jair Bolsonaro e o condenou a 27 anos de prisão, sendo um alvo central do campo conservador.

O caso também expôs fissuras profundas dentro do Supremo. Segundo análise da BBC, Moraes conta com o apoio de Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin; Mendonça tem eco em Nunes Marques e Luiz Fux. O presidente Edson Fachin assumiu a relatoria do caso dois dias antes da sessão e rejeitou o pedido de Moraes de reunir este caso com as acusações contra Mendonça, decidindo adiar o julgamento destas últimas para 23 de setembro.

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